Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

A felicidade e o futuro dependem das doações do presente.

Recentemente a ONG Transparência Brasil divulgou um relatório com a média de enriquecimento de nossos políticos. Descobriu-se portanto que em média os políticos enriquecem 41% em 2 anos. Isso é mais que qualquer rendimento em renda fixa e invejável a bons investidores de renda variável. Em muitos casos encontramos números estratosféricos, como por exemplo Orivaldo Pinheiro do PR de Belém, no estado do Pará, que teve uma evolução patrimonial de 615%. Ele tem 6 x mais do que tinha há 2 anos atrás. No mínimo ultrajante. Um triste retrato de nosso sistema corrompido de ideais.

Em Março deste ano, a revista científica Science, famosa pelo seu reconhecimento acadêmico em todo o mundo, publicou uma matéria intitulada: “Pessoas que gastam seu dinheiro com os outros são mais felizes”. A pesquisa, realizada por Elizabeth Dunn, demonstrou que "Independentemente do tamanho da renda, os que gastaram dinheiro com os outros disseram se sentir mais felizes do que os que gastaram consigo mesmos. Os resultados sugerem que mesmo que se gaste pouco, como 5 dólares, já pode ser o suficiente para produzir sentimentos de felicidade, disse Dunn”.

Enquanto isso, alguns homens tem se candidatado à auxiliar o povo em suas dificuldades, mas tem na verdade “auxiliado” a sí mesmo, aumentando em muito o seu próprio patrimônio. Embora saibamos que existem bons homens na política, a mesma corrupção que os torna raros, tenta esmagá-los impiedosamente. Não queremos mais perpetuar esta cadeia de imoralidade social. Chega!

Temos nos esforçado em apresentar normas de pureza e altos valores morais aos vossos filhos, e muito nos agrada este trabalho. Ele nos parece muito relevante. E um dos valores que desejamos ensiná-los é o do auxilio ao próximo, a ajuda ao necessitado. É por isso que todos os anos nos engajamos no projeto da ONG internacional, ADRA (Agência de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais). No último ano, seus filhos tiveram uma expressiva participação, fazendo do colégio Adventista do Taboão os maiores arrecadadores do projeto em toda a América do Sul. Este projeto é realizado simultaneamente durante o período de 1 mês em todas as escolas da Rede Mundial Adventista e ocorre concomitantemente em todas as igrejas Adventistas. O objetivo é arrecadar fundos para o sustento da entidade acima citada. A mesma atende necessitados, vítimas de catástrofes, promove capacitação profissional, educação e cuidado infantil, assim como atendimentos médicos, cuidado social, etc... Em mais de 218 regiões do Globo terrestre.

Seu filho é convidado participar desse empolgante projeto angariando fundos para que mais pessoas possam ser ajudadas em nossa região. Todo o dinheiro arrecadado será doado para o Espaço Comunidade Esperança. Um espaço especializado em empreendedorismo e profissionalização. Recentemente a TV Globo veiculou algumas matérias sobre o local, uma delas esta em http://acao.globo.com/Acao/0,23167,GTS0-3776-326237,00.html

O alvo pessoal dos alunos é de apenas R$15,00. O objetivo é que aprendam o valor de se ajudar as pessoas e a comunidade, assim como, desenvolver a bondade e a caridade. É importante notar, que usaremos sistemas de reforço, como a distribuição de brindes aos alunos que aderem a causa. Visto que tanto Deus como os homens não se furtam ao direito de recompensar aqueles que trabalham pelos outros.

Por isso pais, pedimos a sua colaboração. Permita e incentive seu filho a participar desse projeto, ajude-o, e temos certeza que essa semente plantada em seu coração será a esperança no futuro de nossa sociedade.

O próprio Jesus disse: “Felizes aqueles que são bondosos, porque alcançarão de Deus, bondade” (Mt 5:7).

Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Amor e Lealdade

Seu filho e sua filha de 12 anos mostram enorme interesse em assistir ao filme baseado em um livro que eles estão lendo na escola. Você descobre que o lançamento será daqui a quatro sábados e promete que vai levá-los já na pré-estréia. Será uma tarde muito especial, só vocês. Você ganhou pontos como pai, fez um golaço e tanto. Melhor ainda, agora eles serão os primeiros a contar para os colegas de escola como o filme se desenrola, serão o centro da roda e heróis por um dia, graças a você. E eles começam a sonhar com o grande dia. Três semanas se passam e na quinta-feira anterior à pré-estréia seus colegas de trabalho o convidam para um jogo de futebol seguido de churrasco. Seu chefe vai estar lá, jogando com a turma. Um amigo se prontifica a buscá-lo às 10 horas do sábado. Você aceita sem pestanejar. Ser convidado para jogar com o chefe é muito importante para a sua carreira, que por sinal não anda muito bem. Seria uma boa oportunidade para fazer média. Você nem se lembrou do compromisso anterior com os filhos.

No sábado, às 10 horas em ponto, seu amigo está à porta, quando seu filho, absolutamente estarrecido, lhe pergunta: "Pai, você esqueceu o nosso filme?".

O que você faz numa situação dessas?

1. Você diz que não irá ao futebol. Pede mil desculpas ao amigo, diz que não poderá jogar conforme o prometido, pede que ele explique o ocorrido ao seu chefe, e fim de papo.

2. Você pede mil desculpas aos seus filhos, explica a situação, diz que o chefe vai estar lá, que você os levará no sábado que vem, com direito a pipoca em dobro. E tudo se resolverá a contento, sem prejuízo de ninguém.

Qual das duas opções você escolhe? Se respondeu que é a primeira, lamento dizer que você está mentindo. Todo mundo escolhe a segunda opção. Afinal, é sua carreira que poderia estar em jogo. Você bem que podia se tornar mais amigo da turma do trabalho, você está inseguro. Aliás, quem não está?

O que quero discutir aqui é a razão por trás da sua escolha, o raciocínio que determinou a decisão de postergar o cinema com os filhos. Você fez essa opção porque no fundo sabe que seus filhos o amam. E, porque o amam, eles entenderão. Sem dúvida, eles ficarão desapontados, mas não para sempre. Afinal, você conseguiu conciliar a agenda de cada um, só vai demorar mais um pouquinho.

Porém, com esse tipo de raciocínio, você acaba colocando as pessoas que o amam para trás. Justamente as pessoas que nos amam é que acabamos decepcionando, vítimas dos nossos erros do dia-a-dia. Que recompensa é essa que dispensamos àqueles que nos amam e que nos são leais? Por quanto tempo eles continuarão nos amando diante de atitudes assim?

Eu não tenho a menor dúvida de que você escolheu jogar futebol porque sabe muito bem que seu chefe não o ama. Muito pelo contrário, ele não está nem aí para você. Ele pode substituí-lo na hora que quiser, sem um pingo de remorso. Você aceitou jogar com os colegas para que eles gostem um pouco mais de você. E com os seus filhos, que já o adoram, você aproveitou para negociar. Eles não vão dizer nada, vão entender, mas sentirão calados uma punhalada nas costas. A lógica diz que deveríamos ser leais com as pessoas que nos amam, mas na prática fazemos justamente o contrário.

Se acha que ninguém o ama ou que não é amado o suficiente, talvez isso ocorra porque você não tem sido leal com as pessoas a quem ama. Achar que elas serão sempre compreensivas e razoáveis é seguramente o caminho para o desastre. Seus filhos acreditarão em você na próxima vez que lhes fizer uma promessa? Eles aprenderão o significado da palavra lealdade?

Seu chefe vai esquecê-lo totalmente um mês depois de você se aposentar, bem como os seus colegas de trabalho. Os únicos que jamais vão esquecê-lo são seus filhos, pela sua lealdade ou pelas pequenas decepções e infidelidades cometidas por você ao longo da vida.

Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br)

Revista Veja, Editora Abril, edição 2053, ano 41, nº 12, 26 de março de 2008, página 22

Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

Pessoas Valem mais do que os Sonhos Modernos

Há alguns meses atrás escrevi um post no blog Contexto Moderno comentando como temos dado mais importância a coisas do que a pessoas em nosso contexto atual. Algumas semanas depois fiquei pensando no porque isso é um absurdo. Porque nos deveria ser mais lógico cuidar das pessoas do que dos bens que possuímos ou desejamos! E descobri uma verdade interessante e óbvia que permaneceu adormecida em minha pauta até agora.

Recentemente ao conversar com uma pessoa que tinha acabado de conhecer ouvi ela espontaneamente dizer que a humanidade tem valorizado mais as “coisas que as pessoas”. Isso me trouxe até o computador motivado a terminar o que comecei, ao ver que estou longe de ser o único a pensar dessa maneira.

Bem, vamos a pergunta crucial, sem mais delongas, porque pessoas são mais importantes do que coisas? Para isso é preciso, primeiro, que avaliemos o que faz uma coisa ser valiosa em nossa realidade? O que dá valor as coisas? Como exemplo clássico vamos aos minerais mais famosos e cobiçados, o diamante e o desejado ouro. O que os faz tão valiosos? A resposta é simples e se encontra na mais importante lei capitalista, a da “oferta e da procura”. O que fazem esses minerais valiosos? Sua raridade. Quanto menor a quantidade disponível e menor sua ocorrência natural mais caro ele é.

Nossa resposta começa a se desenhar. Vamos pensar mais um pouco antes de qualquer conclusão. Quantos de você existem? Quantos pais e mães você tem? E mesmo tendo muitos irmãos, cada um tem um significado particular para você, não se pode livrar-se de um e substituí-lo por outro. Cada um é único para você, assim como você o é para o mundo. Cada ser humano vivo ou que já viveu carrega uma parcela particular de raridade. Cada um de nós é irremediavelmente insubstituível. É por isso que a morte é tão dolorosa. Por que em cada morte há uma perda irreparável. Por mais que tentemos encontrar um consolo em doutrinas como a da imortalidade da alma, nosso sofrimento enfrente a morte de um querido sempre carrega um pesar de separação definitiva. O choro é de perda total e irreparável. Isso demonstra o quanto as pessoas são valiosas, e como que mesmo inconscientemente elas valem muito mais do que qualquer “coisa”. A perda de uma coisa nunca é tão dolorosa quanto a perda de uma pessoa.

É por isso que mesmo havendo milhares de pessoas morrendo e nascendo diariamente, cada uma que chega e que vai possui em sí um valor insubstituível e inestimável. Isso tudo também me ajuda a expor um argumento contra a doutrina da reencarnação (doutrina que eu pessoalmente não creio). Se somos imortais e vivemos encarnando e reencarnando, a vida não é tão rara e única assim. Sendo substituível ou mesmo descartável. A idéia da imortalidade da alma, que prega a ascensão ao céu, a descida para o inferno, ou a parada estratégica no purgatório (ou mesmo a volta a vida como outra pessoa ou animal) ajuda a banalizar a vida humana. E ao contrário do que muitos imaginam, não é bíblica como dizem. Mas essa é uma discussão gigantesca, que não quero trazer agora. Quem sabe mais tarde conversemos sobre isso...

O que nos importa agora é repararmos o quanto somos únicos, e os outros que ao nosso lado vivem, e que estes importam mais do que as coisas que também nos rodeiam e gostamos. Tem um conceito que gosto de repetir: Quanto mais humanos, mas gostamos de gente.